FILOSOFIA TUPINIQUIM

A realidade se fixa, dificilmente a venceremos, mas e daí, não estamos aqui para existir?

28.4.12

ENCONTRO FILOSÓFICO


DATA: 02 DE JUNHO DE 2012a partir das 15:00 h

LOCAL: Auditório da Reitoria – Ceunsp – Campus I

Endereço: Rua do Patrocínio, 716 - Itu

DEBATEDORES: Prof. Dr. Cássio (Filosofia)

Prof. Mauro Lana Vieira (Psicólogo)

Reverendo Gerson (Teólogo e Sociólogo)

MEDIADOR: Prof. Benedito (Bioeticista)

 

Tema:

FINITUDE


Como seria o viver tendo clara a certeza da finitude?

 

FIM DO MUNDO OU A NOVA ORDEM MUNDIAL?

 

Entrada Franca (passagem livre)

 

Para melhor organizarmos, por favor, confirme presença pelo e-mail: lelo.itu@gmail.com

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7.2.12

Trabalho Docente e a luta pelo reconhecimento

Inversão de valores por parte do governo de São Paulo!

Os professores de São Paulo, através da Apeoesp, vem travando uma batalha jurídica para implementação de uma Lei Federal (Lei nº 11.738, de 16/7/2008). Esta lei determina, entre outras, que a jornada de trabalho docente seja composta por 1/3 em horário de trabalho pedagógico. Essa quantidade de tempo serve para que o professor possa, sem prejuízo de sua renda, ter mais tempo para preparar aulas, corrigir provas, pesquisar, estudar etc. Porém, afirmo que, mesmo com essa ampliação, o tempo não é suficiente. Tendo em vista a quantidade de alunos atendidos por uma professora, um professor. A proposta da Lei do Piso Salarial, quanto a jornada é um avanço, mas ainda há muito o que melhorar, por isso é imprescindível que todos os professores se unam nesta luta por melhor condição de trabalho e, com isso, melhor qualidade na educação pública.

Vou usar da minha prática no trabalho docente, do meu dia-a-dia na educação, para expor como se dá o desenvolvimento da minha vida no magistério.

Sou professor de filosofia, efetivo da rede pública, deveria ter 32 aulas, porém essas aulas não existem na unidade de ensino onde tenho o meu cargo. Quero lembrar que uma das defesas do governo do PSDB é que teria que contratar mais professor caso fosse cumprir o que determina a lei. Mas vamos aos fatos da jornada extraclasse. Então, como que ter mais tempo de trabalho sem aluno melhora a qualidade do ensino.

Cada classe, de 1º a 3º anos do Ensino Médio, tem em média 40 alunos. Hoje existem, na escola onde estou, 3 salas de 1º anos, 4 salas de 2º anos e 3 salas de 3º anos. Em cada sala tenho 2 aulas, ou seja, 20 aulas por semana. Porém, para ampliar minha jornada, faz parte da minha graduação o componente de sociologia, assim, sobraram 7 aulas de sociologia que foram atribuídas a mim, portanto, ao todo, ministro 27 aulas, ou seja, 1350min. Com essas 27 aulas, segundo o atual cálculo da Secretaria, dado pela Resolução SE 08/2012, tenho “direito” a 2 horários (100min) de trabalho pedagógico conjunto (HTPC) e 11 horários (550) de trabalho pedagógico de livre escolha (preparação de aulas, provas, correção, estudo, pesquisa etc.).

Possuidor desses dados e quero ser bem coerente, passo então expor o planejamento da minha vida.

Tenho que preparar, das 27 aulas por semana, 13 aulas, entendendo que serão 2 aulas de filosofia para os primeiros anos, 2 de filosofia para os segundos anos, 2 aulas de filosofia para os terceiros anos, uma aula de sociologia para um segundo ano, 3 aulas de sociologia para o terceiro ano. Ao todo, em uma semana, preparo 3 conjuntos de 2 aulas cada, de filosofia e 2 conjuntos de 2 aulas cada se sociologia, ou seja, 5 conjuntos de aulas com temas e grau de dificuldades diferentes.

Na preparação de aulas, no meu caso, se dá da seguinte forma. De posso do tema proposto pelo currículo do Estado de São Paulo para cada ano, faço um estudo preliminar, depois, aprofundando o estudo, começo a pesquisa nos jornais, na internet, televisão. Deste modo, eu consigo recortes de notícias, fatos nacionais e ou internacionais etc., visando à contextualização do conceito filosófico com a realidade vivenciada por eles com base no tema proposto, pois o que trabalhamos são situações de aprendizagem, para desenvolver competências e habilidades através de solução de situações problema. Para cada conjunto de aula uso aproximadamente 2 horas e meia, ou como o governo quer vender a ideia, 150 minutos por conjunto de aulas, perfazendo um total semanal de 750 minutos, porém, 150 minutos, dos 800 minutos da Resolução citada, é preenchido pelo HTPC, portanto, são 100 minutos a mais, que dou como dedicação “altruísta”, “voluntária”. Bem, isso é toda semana para preparação de aulas.

Agora vejamos a questão de correção das atividades de avaliação, lembrando que esta é processual. Como expus sobre a forma de trabalho, desenvolvimento de competências e habilidades, a leitora e escritora é prioridade no currículo do Estado de São Paulo, assim, tenho que avaliar o desenvolvimento dos alunos quanto à interpretação de texto e o da coerência na argumentação, portanto as atividades se dão pela escrita de um texto com base na interpretação de outros. Assim, a cada 2 semanas, tenho que analisar as atividades diagnósticas. Cada classe tendo em média 40 alunos, portanto, eu teria um total aproximado de 540 textos, por mês, para ler e, como é meu costume, escrever, na folha de cada aluno, o que precisa ser melhorado. Usando, em média, 10 minutos em cada texto, trabalho um total de 5400 minutos. Posso não fazer a leitura, mas se não o fizer, como saberei o que preciso mudar no planejamento das aulas para prover os alunos de recuperação da aprendizagem. Não quero ser hipócrita, então o que faço como possível? A produção textual passa a ser por bimestre, prejudicando, sobremaneira, o melhor desenvolvimento no processo ensino-aprendizagem. Mas não para por aí, pois, segundo uma orientação Departamento de Normas Pedagógicas, tenho que oferecer 3 ferramentas de avaliação para estabelecer a nota bimestral dos alunos. Portanto, ainda tenho que corrigir as atividades feitas na sala de aula, que podem ser as atividades do caderno no aluno, construção de um glossário, construção textual etc. Outra ferramenta é o trabalho em grupo, como faço em forma de seminário ou por meio de mídias eletrônicas, não demanda de tempo para avaliação, mas a terceira ferramenta demanda, pois é constituída por um exame composta com questões variadas dos tipos dissertativas e objetivas. Portanto essa é minha vida escolar que, salvo erros de cálculo, supera em muito daquilo que a Lei do Piso propõe e que o governo de São Paulo quer mistificar.

Mas vamos falar um pouco sobre esse cálculo absurdo que o Secretário da Educação do Estado de São Paulo, um professor no poder, expressa textualmente:

“Fica mais evidente, dia após dia, que foi orquestrada uma campanha destinada à desinformação em torno da contagem das horas extraclasse. Aqueles que, em 2006, reivindicaram que fosse considerado como horário extraclasse o somatório dos extintos intervalos de aulas — e que comemoraram como vitória o atendimento desse pleito — hoje fingem que nada disso aconteceu para poderem, sem nenhuma razão, acusar o governo de não cumprir a Lei do Piso”.

Será?

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20.12.11

Prolegômenos: continua… O Eu na História da Filosofia

 

O termo Eu é um pronome que cada indivíduo humano usa para se designar dentro de uma relação social. Não como identidade, mas, a princípio, como individualidade. Muitas foram as conceitualização desse termo. A primeira problematização explícita do Eu foi realizada por Descartes:

 

O que sou eu então? Uma coisa que pensa. Mas o que é uma coisa que pensa? É uma coisa que duvida, concebe, afirma, nega, quer ou não quer, imagina e sente. Certamente não é pouco que todas essas coisas pertençam à minha natureza. Mas por que não lhe pertenceriam?… É de per si evidente que sou eu quem duvida, entende e deseja, e que não é preciso acrescentar nada para explicá-lo. (Meditações, II, apud ABBAGNANO, 2007)

 

Com base no exposto, o eu se estabelece para Descartes como consciência de si mesmo, como autodeterminação, como subjetividade. Com essa proposição outros filósofos se detiveram a esta concepção do eu, como por exemplo, Locke adotou a proposta de Descarte, mas a reelaborou, conceituando-a como sendo unidade formal, identidade. Em outros termos, segundo Locke, a identidade do eu não se funda na unidade ou na simplicidade da substância-alma, mas unicamente na consciência que se reconhece na diversidade das suas manifestações. Leibniz, embora insistisse na importância daquilo que ele chamava de consciência ou sentimento do eu, não acreditava que ela apenas constituísse a identidade pessoal, e lhe acrescentava a identidade física e real (ABBAGNANO, 2007).

 

Esse ponto de vista, conforme completa Abbagnano (2007), encontra-se frequentemente expresso na filosofia moderna e contemporânea, que às vezes acentuou o caráter ativo ou volitivo da consciência. Assim, poder-se-ia continuar a discussão entorno do que é consciência, onde esta se localiza e, a partir daí, tentar compreender esse eu com que cada um se indica. Mas como autoindicação, este se propõe autoconsciência.

 

Para interpretar o Eu, como autoconsciência, Kant, faz uma distinção entre o Eu como objeto da percepção ou do sentido interno, e o Eu como sujeito do pensamento ou da apercepção pura, isto é, o da reflexão. Dada a funcionalidade proposta por Kant ao Eu, jamais teria conduzido à substancialização metafísica. Será em Fichte que isso ocorre, pois Eu da reflexão ou da apercepção pura, torna-se um Eu absoluto, criador da realidade. Por ser absoluto, diz ele, o Eu é infinito e ilimitado. Ele tudo dispõe tudo o que é; e o que ele não dispõe não é (para ele; mas fora dele nada existe). Mas tudo o que dispõe, ele dispõe como eu; e dispõe o eu como tudo o que dispõe. Portanto, nesse aspecto, o eu abarca em si toda a realidade, uma realidade infinita e ilimitada (Wissenschaftslehre, 1794, III, § 5, II; trad. Italiana, p. 2007, apud ABBAGNANO, 2007) e Abbagnano continua:

Essas teses foram adotadas e ampliadas por Schelling, graças a quem se tornaram expressões características do romantismo. Na obra O eu como princípio da filosofia ou o incondicionado no saber humano (1795), ele identifica o Eu de Fichte com a Substância de Spinoza. "Nessa época", Schelling escreveu a Hegel, "tornei-me adepto de Spinoza. Quer saber como? Para Spinoza o mundo é tudo, para mim tudo é o Eu." E embora Hegel negasse essa tese, considerando como saber absoluto (e, portanto, também como realidade absoluta) o saber em que desapareceu a distinção entre Eu e não-Eu, entre subjetivo e objetivo, também ele compartilha da tese do caráter infinito do Eu. Disse: "O Eu, essa consciência imediata de si, aparece em primeiro lugar, por um lado, como imediato, por outro como conhecido em sentido muito mais elevado do que qualquer outra representação. Todas as outras coisas conhecidas pertencem de fato e certamente ao Eu, mas ao mesmo tempo são diferentes dele e, portanto, ganharam conteúdo acidental; o Eu, porém, é a simples certeza de si. Mas o Eu em geral é também, ao mesmo tempo, um concreto, ou melhor, o Eu é o concretíssimo, a consciência de si como de um mundo infinitamente múltiplo" (Wissenschaft der Logik, I, livro I; trad. it., I, pp. 65-66).

 

Existe ainda outro conceito do Eu, o Eu como inter-relação. Esta condição, mais genérica e menos comprometedora do que a de unidade. Kierkegaard definiu o Eu como “relação que se relaciona consigo mesma”. Propondo que o homem é uma síntese de alma e corpo, de infinito e finito, de liberdade e necessidade, etc. Síntese é inter-relação, e a reversão dessa inter-relação, ou seja, a relação da relação consigo mesma, isto é o Eu do ser humano (Die kmnkheit zum Tode, 1849, cap. I, apud ABBAGNANO, 2007). Continuando o pensamento de Kierkegaard, este ainda acrescenta que é por se relacionar consigo mesmo que se relaciona com o outro, com o mundo, com os outros homens e com Deus. Mas, Scheler, com um ponto de vista chega a um conceito análogo do Eu, pois, expressa ele: “A palavra Eu está associada a alusão ao tu, por um lado, e a de um mundo externo, por outro. Deus, por exemplo, pode ser uma pessoa, mas não um Eu, já que para ele não há tu nem mundo externo (Formalismus, etc, p. 405, apud ABBAGNANO, 2007). Será precisamente a partir dessa definição de inter-relação que Heidegger lança mão para definir o Eu, expondo: “A assunção ‘Eu penso alguma coisa’ não pode ser adequadamente determinada se o ‘alguma coisa’ ficar indeterminado. Se, porém, o ‘alguma coisa’ for entendido como ente intramundando, então trará em si, não expressa, a pressuposição do mundo. E é justamente esse o fenômeno que determina a constituição do ser do eu, quando pelo menos ele deve poder ser algo, como em ‘Eu penso alguma coisa’. Dizer eu refere-se ao ente que eu sou enquanto sou-no-mundo (Sein und Zeit, § 64, ibidem). De forma aparentemente paradoxal, Sartre afirmava que “o eu não está, nem formal nem materialmente, na consciência; está fora dela, no mundo. É um ser do mundo, assim como o eu de um outro”. Acompanhando esse mesmo entendimento, encontra-se Merleau-Ponty: “A primeira verdade é, sem dúvida, ‘eu penso’, mas sob a condição de que com isso se entenda ‘eu sou para mim mesmo’ sendo no mundo”.

 
A partir deste ponto, começa a projeção das interpretações utilitaristas do Eu, pois, considerado em sua relação com o mundo, o eu às vezes é determinado a partir do seu caráter ativo, da sua capacidade de iniciativa, de seu poder projetante ou antecipador. Dewey diz: “Dizer de modo significante “eu penso, creio, desejo’, em vez de dizer somente ‘pensa-se, crê-se, deseja-se’ significa aceitar e afirmar responsabilidades e expressar pretensões. Não significa que eu é a origem ou o autor do pensamento ou da afirmação nem que é sua sede exclusiva. Significa que o eu , como organização concentrada de energias, identifica-se (no sentido de aceitar as consequências) como uma crença ou sentimento de origem exterior e independente” (Experience and Nature, p. 233, apud ABBAGNANO, 2007).

 

 

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15.12.11

Prolegômenos: cont…

 


Bastaria isso para desistir de buscar uma fundamentação para o egoísmo, como natureza humana, porém, não se trata aqui de fundamentar a questão do egoísmo dessa forma. É importante lembrar aqui que Heidegger faz crítica sobre a base de sustentação da teoria freudiana, sendo que esta, para o filósofo, não se sustenta por se tratar de uma fundamentação metafísica para explicar a personificação humana longe daquilo que ele considera o ideal, a partir do ser-aí (Dasein).


Aqui se torna conveniente esclarecer alguns conceitos que serão empregados para a compreensão deste trabalho. A mais importante aqui, dado o que já foi exposto anteriormente, está na metafísica como ontologia e posteriormente, como gnosiologia, para então se chegar na fenomenologia.  Pois será a partir deste ponto que se poderá observar melhor a resposta da questão levantada, ao mesmo tempo em que se pretende sair de uma concepção psicanalítica da proposta.


A metafísica, ao longo da história da filosofia, assumiu o papel principal, sendo considerada desde o início como Ciência Primeira, isso por ter como objeto o objeto de todas as outras ciências, e como princípio um princípio que condiciona a validade de todos os outros. Por ter essa pretensão de prioridade, que a define, a metafísica pressupõe uma situação cultural determinada, em que o saber já se organizou e dividiu em diversas ciências, relativamente independentes e capazes de exigir a determinação de usas inter-relações e sua integração com base num fundamento comum. Já em Platão foi apresentada a formação dessa ciência suprema, mais adiante Aristóteles também a incorpora em seu trabalho com a denominação de Filosofia Primeira no terceiro livro (b) da Metafísica, no qual uma imposição ao estudo filosófico, que é a de buscar a substância da coisa, ou seja, todos os princípios primeiros. A metafísica apresentou-se ao logo da história sob três formas fundamentais: como teologia; como ontologia; como gnosiologia (ABBAGNANO, 2007). Mas, para o caso estudado neste trabalho, será focalizada a metafísica como ontologia.


A metafísica como ontologia se ocupa do estudo das características fundamentais do ser. Para tanto, como principais proposições estão: a. existem determinações necessária do ser, ou seja, determinações que nenhuma outra maneira de ser pode deixar de ter; b. tais determinações estão presentes em todas as formas e modos de ser particulares; c. existem ciências que têm por objetivo um modo de ser particular, isolado em virtude de princípios cabíveis; d. deve existir uma ciência que tenha por objeto as determinações necessárias do ser, estas também reconhecíveis em virtude de um princípio cabível; e. essa ciência precede todas as outras e, por isso, ciência primeira, porquanto seu objeto está implícito nos objetos de todas as outras ciências e porquanto, consequentemente, seu princípio condiciona a validade de todos os outros princípios (ibidem).

 Pelas proposições expressas no parágrafo anterior, implicam em: determinada teoria da essência, mas precisamente da essência necessária; determinada teoria do ser predicativo, mais precisamente inerência; determinada teoria do ser existencial, mais precisamente da necessidade. Estas proposições expressam a forma mais madura que a metafísica assumiu na obra de Aristóteles, mais precisamente nos livros VII, VIII, IX de Metafísica, ou seja, metafísica como teoria da substância, entendendo por substância “aquilo que um ser não pode não ser”, a essência necessária ou a necessidade de ser (ibidem).

 Essa concepção passa pelo medievalismo, chegando até o iluminismo defendido por D’Alembert, que dizia: “Visto que tantos os seres espirituais quanto os materiais têm propriedades gerais em comum, como existência, possibilidade, duração, é certo que esse ramo da filosofia, no qual todos os outros ramos haurem em parte seus princípios, seja denominada ontologia, ou seja, ciência do ser ou Metafísica Geral” (Discours préliminaire, § 7, p. 115 apud ABBAGNANO, 2007). Neste sentido o filósofo iluminista defende uma nova metafísica, “que seja criada mais para nós. Que fique mais próxima presa à terra, uma metafísica cujas aplicações se estendam às ciências naturais e aos diversos ramos da matemática. De fato, em sentido estrito não há ciência que não tenha sua metafísica, se com isso entendermos os princípios gerais sobre os quais se constrói determinada doutrina, que são, por assim dizer, os germes de todas as verdades particulares”. Foi em sentido muito próximo que Christian August Crusius (Entwurf der Notwendigen Vernunftwahrheiten, 1745, § 1) e Lambert (Architectonic, 1771, § 43) entenderam a ontologia (ABBAGNANO, 2007).

É a partir deste ponto que Bacon vai desenvolver seu conceito da Filosofia Primeira, transportando a metafísica como gnosiologia, e diz ser ela “uma ciência universal, que seja mãe de todas as outras e que, no progresso das doutrinas, constitua a parte comum do caminho, antes que as sondas se separem e se desunam”. Segundo esse filósofo, tal ciência deveria ser “o receptáculo dos axiomas que não pertençam às ciências particulares, mas sejam comuns a numerosas ciências” (De augmentis scientiarum, III, 1). Continuando no mesmo caminho Kant conceitua a metafísica com maior ênfase nos princípios que nos objetos da ciência. Que segundo ele, a metafísica é o estudo das formas ou princípios cognitivos que, por serem constituintes da razão humana – aliás, de toda razão finita em geral –, condicionam todo saber e toda ciência, cujo exame, portanto, é possível extrair os princípios gerais de cada ciência. Kant expunha esse conceito da metafísica nas últimas páginas de Crítica da Razão Pura, mais precisamente no capítulo sobre a arquitetura. Neste ponto, é possível perceber a metafísica em Kant de duas formas. Como a segunda parte da “filosofia da razão pura”, ou seja, como “sistema da razão pura (ciência), conhecimento filosófico total (seja verdadeiro, seja aparente) que deriva da razão pura em conexão sistemática” (e, nesse sentido, dela é alijada a parte preliminar ou propedêutica da filosofia da razão pura, que é a crítica), ou então pode ser entendida como a filosofia total da razão pura, incluindo a crítica (ABBAGNANO, 2007).

 Mas a característica da metafísica kantiana e sua pretensão de ser “uma ciência de conceitos puros”, ou seja, uma ciência que abarque os conhecimentos que poder ser obtidos independentemente da experiência, com base nas estruturas racionais da mente humana é questionada por Husserl, pois este não considera os princípios muito gerais, mas os princípios que constituem o fundamento de determinados campos do saber, de uma ciência ou de um grupo de ciências, chamados, portanto, de materiais. Ele expõe: “cada objeto empírico concreto insere-se com sua essência material em uma espécie material superior, em uma região de objetos empíricos. A essência regional corresponde uma ciência dialética regional ou, como podemos dizer também, uma ontologia regional”. Deste modo, em contraposição dos conceitos kantianos, Husserl inaugura a ontologia fenomenológica (Ibidem).

 Outro filósofo, Nicolai Hartmann, com pressupostos fenomenológicos em comum com Husserl, retorna à ontologia geral, pois para ele, o objeto da ontologia é o ente, não o ser, já que o ser é unicamente “aquilo que há de comum em cada ente”. E é nessa mesma corrente de pensamento que pertence a ontologia de Heidegger, particularmente como a determinação no sentido do ser a partir do ser do ente que faz as perguntas e dá as respostas, o homem. Reafirmando o caráter primário ou privilegiado da ontologia. Heidegger expressa “o problema do ser tende não só à determinação das condições a priori à possibilidade das ciências que estudam o ente enquanto ente, e que portanto, ao fazê-lo, sempre já se movem numa compreensão do ser, mas também à determinação das condições de possibilidade das ontologias que precedem e fundam as ciências ônticas, isto é, empíricas” (seín und Zeit, § 3, apud ABBAGNANO, 2007).

Para aprofundar mais sobre a questão aqui exposta, será necessário o aprofundamento no estudo desses conceitos expostos por Heidegger, levando-se em consideração a questão da linguagem.

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14.12.11

Prolegômenos

A partir deste texto, estarei postando um estudo sobre uma possível doutrina do Eu, na qual quero provar a possibilidade de vivência social perfeitamente salutar, com base no egoísmo.

Existem algumas palavras incorporadas ao vocabulário humano para dar certa harmonia na convivência social. Altruísmo, originada a partir do positivismo de Comte, para incitar o ser humano à preocupação com o outro, devendo esta tendência ser aprimorada pela educação positiva, evitando-se assim a ação antagônica dos instintos naturais do egoísmo. A solidariedade para enfatizar a dependência um do outro. A fraternidade para explicitar a harmonia e união que deve existir entre aqueles que vivem uma proximidade ou que lutam pela mesma causa. Estes significados, retirados a partir do dicionário Houaiss, impõe uma conduta comportamental que visa a adequar o sujeito dentro de uma sociedade.

Como pode ser percebido, com base no naturalismo, o altruísmo se torna um remédio, ou melhor, um antídoto ministrado através da educação com o intuito de transformar o sujeito naturalmente egoísta, num ser positivo, civilizado, um autêntico ser altruísta. Spencer expressa, em Princípios da Psicologia, que a antítese entre egoísmo e altruísmo estaria destinada a desaparecer com a evolução moral e que haveria cada vez mais coincidência entre a satisfação do indivíduo e o bem-estar e a felicidade do outro (apud ABBAGNANO, 2007). Mas, enfatizando outra concepção do termo, na qual o altruísmo está fundado no amor ao próximo, Nietzsche, ao identificar essa condição, em Assim Falou Zaratustra, condena este entendimento, e que na fala do personagem central de sua obra expressa: "Vós ides ao próximo fugindo de vós mesmos e quereríeis fazer disso uma virtude; mas eu leio através do vosso altruísmo. Não sabeis suportar-vos a vós mesmos e não vos amais o bastante; e eis que quereis seduzir o vosso próximo induzindo-o ao amor e embelezar-vos com o seu amor" (ibidem). Ainda é possível encontrar diversos confrontos, dos quais Scheler também nega a identificação do altruísmo com o amor.


Para tentar entender a grande aversão social para com o egoísmo, será necessária uma investigação pormenorizada da criação e dos conceitos que o termo carrega. Existe e foi inculcado no consenso social, por assim dizer, um verdadeiro combate a essa condição humana, impondo que por ela existirá uma condição perniciosa para uma perfeita convivência social. Deste modo, foi negada a possibilidade de uma explícita doutrina do Eu e o pensador que faz isso, cai no esquecimento, demonstrando assim a intenção primeira da sociedade.

Encontra-se, no dicionário de filosofia estruturado por Abbagnano (2007), que o termo foi criado no século XVIII para indicar a atitude de quem dá importância predominante a si mesmo ou aos seus próprios juízos, sentimentos ou necessidades, e pouco ou nada se preocupa com os outros. Platão já achava que o "amor desmesurado por si mesmo" (que nada tem a ver com a filáucia  de que falava Aristóteles) é a causa de todas as culpas dos homens (Leis, V, 731e). Muitas vezes o egoísmo foi considerado atitude natural do homem. Diz Kant: "A partir do dia em que o homem começa a falar em primeira pessoa, ele passa a pôr seu querido eu na frente de tudo, e o egoísmo progride incessantemente, sub-reptícia ou abertamente (por sofrer a oposição do egoísmo dos outros)" (Antr, I, § 2). Aliás, antes de Kant, Adam Smith (Teoria dos sentimentos morais, 1759) e os moralistas franceses tinham visto no egoísmo uma das emoções fundamentais do homem. Vauvenargues, que chama o egoísmo de "amor próprio", distingue-o do amor de si(y), que é a filáucia de Aristóteles (De 1′esprit humain, 24). Kant distingue três formas de egoísmo: 1. Egoísmo lógico, de quem não acha necessário submeter seu próprio juízo ao juízo alheio; 2. Egoísmo estético, que se satisfaz com seu próprio gosto; 3. Egoísmo moral, de quem restringe todos os fins a si mesmo e não vê utilidade no que não lhe traz proveito. Além dessas três espécies de egoísmo, Kant distingue o Egoísmo metafísico, que responde negativamente à pergunta: "eu, como ser pensante, tenho razão de admitir, além da minha existência, também a de um todo de outros seres que estão em comunhão comigo?" (Antr., I § 2). A antítese entre egoísmo e altruísmo e a predição do futuro triunfo do altruísmo são típicas da ética positivista. O positivismo cunhou a palavra altruísmo e, ao lado dos instintos egoísticos, admitiu a existência de instintos altruístas destinados a prevalecer com o progresso moral da humanidade (COMTE, Catéchisme positiviste, pp. 48 e ss.; SPENCER, Data of Ethics, § 46). Por outro lado, Stirner e Nietzsche sustentaram a moral do egoísmo. Stirner chamou seu anarquísmo de egoísmo absoluto, que consiste na afirmação de que o indivíduo é a única realidade e o único valor (Der Einzige undseín Eigentum, 1845). Nietzsche por sua vez dizia: "O egoísmo é parte essencial da alma aristocrática e por egoísmo entendo a fé inquebrantável em que outros seres devem sujeitar-se e sacrificar-se pelo ser que nós somos" (Jenseit von Gut und Bóse, 1886, § 265). Scheler deu a melhor caracterização do egoísmo, distinguindo-o do amor de si ou filáucia. O egoísmo, segundo diz, não se dirige ao eu individual como objeto de amor desvinculado de todas as relações sociais. O egoísta não se comporta como se estivesse só no mundo, mas está tão absorvido por seu eu social que se apega somente aos seus próprios valores ou àqueles que podem tornar-se seus. Essa atitude é o contrário do amor de si, dirigido principalmente aos valores por si mesmos (Sympathie, II. cap. I, § 1).


Porém, esta preocupação leva outros pensadores a se debruçarem sobre os problemas impostos pelo egoísmo, um deles é Freud que, para trazer à luz sua ciência, num primeiro momento, busca diferenciar seus estudos das concepções filosóficas. Assim, desde o princípio de sua explanação, na construção da psicanálise, Freud faz questão de frisar seu posicionamento diferenciado para o que até aquele momento era discussão da filosofia, em que:

Com relação a isso, não nos interessa indagar até onde, com a hipótese do princípio de prazer, abordamos qualquer sistema filosófico específico, historicamente estabelecido. Chegamos a essas suposições especulativas numa tentativa de descrever e explicar os fatos da observação diária em nosso campo de estudo. A prioridade e a originalidade não se encontram entre os objetivos que o trabalho psicanalítico estabelece para si, e as impressões subjacentes à hipótese do princípio de prazer são tão evidentes, que dificilmente podem ser desprezadas. Por outro lado, prontamente expressaríamos nossa gratidão a qualquer teoria filosófica ou psicológica que pudesse informar-nos sobre o significado dos sentimentos de prazer e desprazer que atuam tão imperativamente sobre nós. Contudo, quanto a esse ponto, infelizmente nada nos é oferecido para nossos fins. (FREUD, 1950)


Da mesma forma, cometer-se-ia um equívoco, ao trazer para este trabalho, a psicanálise freudiana quanto à explanação sobre o egoísmo, pois, muito embora o termo não apareça tantas vezes em suas obras, a base de sua teoria está fortemente aplicada nela. O início se sua teoria está atada a questão do prazer, como foi exposta na obra Além do princípio do prazer:

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Na teoria da psicanálise não hesitamos em supor que o curso tomado pelos eventos mentais está automaticamente regulado pelo princípio de prazer, ou seja, acreditamos que o curso desses eventos é invariavelmente colocado em movimento por uma tensão desagradável e que toma uma direção tal, que seu resultado final coincide com uma redução dessa tensão, isto é, com uma evitação de desprazer ou uma produção de prazer. (ibidem)

 Por esta introdução, pode-se perceber que toda e qualquer anomalia mental, benéfica ou maléfica, está contida no equilíbrio entre o prazer e o desprazer, impondo toda uma condição íntima para o equilíbrio psíquico do sujeito, ou seja, de sua autopreservação. Muito embora exista a condições de terceiros, ou seja, da segunda pessoa, tudo gira em torno da primeira, de satisfazer a si mesmo.

No comentário sobre a psicanálise, Abbagnano (2007) coloca, que na obra Ego e o id (Das Ich und das Es), em 1923, Freud propôs em sua teoria, e que foi amplamente aceita pela psicologia de sua época, a divisão do “espírito” humano em três parte: ego, que é a organização e consciência, e por isso está em contato com a realidade e procura submetê-la a seus fins; superego, aquilo a que geralmente se dá o nome de consciência moral e que geralmente é o conjunto de proibições impostas aos homens em seus primeiros anos de vida, acompanhando-o depois, mesmo que de forma inconsciente; e Id, que é constituído pelos impulsos múltiplos da libido, sempre voltada para a satisfação do prazer. Esta doutrina, que foi revisada pelo próprio Freud mais tarde, conforme em Sistema de Inibição e Angústia, em 1926, revelou-se bastante útil para a descrição e interpretação das doenças mentais quanto para a teoria da personalidade. Mais adiante, Abbagnano (2007), continua sua exposição, explicitando que entre as muitas tendências interpretativas que modificaram em maior ou menor grau as doutrinas fundamentais da psicanálise, lembrando os autores Jung e Adler, na qual, Jung concebe o instinto fundamental do homem não como natureza sexual como em Freud, mas como uma energia originária e criativa que se identifica com o conceito genérico de divindade e constitui o inconsciente coletivo, que é a base comum da natureza humana (Psicologia do inconsciente, 1942). Adler, ao contrário, identificou o instinto fundamental do homem como a vontade de potência de que falava Nietzsche, ou seja, como um espírito de agressão e de luta em conflito com o outro instinto, o sentimento de comunidade humana, que liga o indivíduo a todos os outros. A interação dessas duas forças determinaria o caráter de cada homem e suas manifestações patológicas (Conhecimento do homem, 1927).

 Bastaria isso para desistir de buscar uma fundamentação para o egoísmo, como natureza humana, porém, não se trata aqui de fundamentar a questão do egoísmo dessa forma. É importante lembrar aqui que Heidegger faz crítica sobre a base de sustentação da teoria freudiana, sendo que esta, para o filósofo, não se sustenta por se tratar de uma fundamentação metafísica para explicar a personificação humana longe daquilo que ele considera o ideal, a partir do ser-aí (Dasein).

 

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7.12.11

Governos no Brasil, uma política que visa à discriminação

 

Em uma das falas do Prof. Milton Santos, ele diz: “a classe média brasileira não procura por direitos, mas por privilégios”. Eu posso emendar à fala dele; pelo fato de o poder no Brasil ser gestada pela classe média, a política praticada aqui é a de descriminação. Pobres, de esmagadora maioria negra, exerce atividades informais. Pedreiros, pintores, faxineiros entre outras tantas que, para essa classe “dominante”, é da menor relevância. Assim, todos os tentáculos do grande Leviatã, ao atender o cidadão, o faz com essa perspectiva. Pode-se chara, por isso, síndrome do pequeno poder. Mas e quando se dá um distintivo e uma arma a esses servidores, o que se pode notar?

Uma de minhas maiores angústia é passar por um comando da Polícia Militar vistoriando carros. É deprimente ver que apenas essas pessoas que citei no primeiro parágrafo são paradas, mão na cabeça e revistadas. Carros populares, muitos bem conservados, vasculhados, documentos consultados etc. Seria isso um erro? Oras; claro que não é. Muito pelo contrário, sentimo-nos seguros ao ver que a política está afazendo o seu papel preventivo de segurança. A pergunta melhor, então, seria: por que os carros de luxo, motoristas brancos, engravatados, não são parados nesses comandos?

Pelos noticiários torna-se evidente que drogas, armas, contrabando não são movimentados em carros populares, e mais ainda, os maiores bandidos deste país usam terno e gravata. Mas é muito mais fácil parar um pobre, trabalhador, pois este não reclama e não se revolta, não impõe seu direito, diferente dos engravatados, dos hipócritas da classe média. Mas, este é o Brasil, o policial negro revista o cidadão negro, porém não vota em um candidato negro. Aliás, quantos comandantes militares são negros neste país?

Enquanto as pessoas, em todas as instâncias de poder, não rever essa ação discriminadora que é práxis de suas políticas públicas, não haverá a mínima condição de se estabelecer neste país, a democracia. Entretanto, será que a classe média fará leis ou tomará atitudes que possam minimizar as possibilidades de privilégios para si?

Portanto, cabe a mim a indignação, a raiva contida, o esmorecimento diante de uma barbárie simbólica que só alguns poucos conseguem perceber. Porém, ou simplesmente eu faço de conta que está tudo bem e banalizo a maldade, ou venho a público, nas tribunas das quais eu participo, tenho que denunciar:

A POLÍTICA DE INCLUSÃO NO BRASIL É MAIS QUE UMA FARSA, ELA É RIZÍVEL, POR SEUS POLÍTICOS HIPÓCRITAS E O POVO, AGENTE QUE OS COLOCA NO PODER, PROGRAMADAMENTE MANIPULÁVEL.

 

criado por lelo_itu    10:37:39 — Arquivado em: Bobagens, Humanidades, Sem categoria

2.12.11

No derradeiro instante, apenas um estava presente ao pé da Cruz!

O amigo(a) (do grego: filos) é uma escolha consciente que se faz por um verdadeiro amor, por um comprometimento cúmplice de convívio. E nesse coexistir não se traem por intrigas, injúrias, maledicências. Unicamente a honestidade é a regra dessa verdadeira convivência. Se isso não existir, ou se houver um único senão, ainda não conheceu um verdadeiro amigo.

A amizade hoje é uma ação individual quase que totalmente extinta. Pois, a regra do big brother está vencendo. Somos iludidos pelos falsos sentimentos de amizade e isso pela própria soberba que vem sendo nutrida, desde há muito tempo, todos dos dias, nos corações e mentes desprotegidas do apego ao sutil, no lugar se propõe o jogo de interesses.

Amigo(a) e amado(a) são sinônimos e a não copreensão disso é fatal para se vencer o mundo. Pode-se até admitir que muitos relacionamentos entre irmãos dão-se pela falta de consciência na escolha. Portanto, escolher um amigo(a) é algo que se deve fazer plenamente consciente, não como um mero acaso, mas sim, um ato de submissão da própria vontade por levar vantagem sempre. Porém, escolher neste conturbado mundo de distorcidas visões, está cada vez mais complicado.

Assim, todos os dias eu peço a Deus que ilumine àqueles que eu tenho como amigos, para que, no dia seguinte, estes continuem, mesmo que de forma tênue a demonstrar sua amizade para comigo, pois como amigo deve perceber a sutil demonstração, por mais fria que seja. Peço, também, para que aceitem a minha sinceridade, honestidade e comprometimento, pois se digo palavras que pareçam duras, é por amar, é por exigir reação de quem amo e quero amar a todos. Mas, em qualquer momento, precisando ou não, para juntar os pedaços, ou pedir para que junte os meus, quero ser presente, cúmplice e comparsa para juntos, entendermos o motivo do como, do porquê de estamos juntos aqui, nesta jornada do existir.

criado por lelo_itu    12:44:01 — Arquivado em: Sem categoria

6.10.11

Estranhamento

 

Ontem (05/10/2011) participei de uma reunião, junto a outros professores de Itu, representando suas escolas, para discutirmos uma nova proposta curricular para as escolas de São Paulo. Falar em nova proposta curricular seria pouco para indicar o que nos foi pedido. O governo paulista, através da Secretaria de Estado da Educação, nos impõe na verdade a discussão de uma nova política educacional para a rede pública básica. Assim, levaram nove meses para elaborarem os documentos e, em duas semanas esperam que os professores de toda a rede analisem e discutam as mudanças que virão acontecer. Um detalhe, recebemos os documentos na segunda feira (03/10/2012) durante uma reunião de Htpc, por duas horas, mesmo contra a vontade da maioria dos professores, foi elaborada uma ata e enviada à coordenação da cidade, pois uma reunião com representantes de escolas da cidade, já estava marcada.

Por dever de ofício, nós professores devemos acreditar que toda e qualquer mudança, a princípio, virá para nos ajudar na tarefa do educar institucionalmente. Entretanto, devemos, por algum tempo, distanciarmo-nos da realidade que enfrentamos e da particularidade para poder, com nossos estudos teóricos, analisarmos a proposta de mudança que porventura venha. Deste modo, torna-se imprescindível, além do tempo necessário para o estudo, informação detalhada sobre, principalmente, sua aplicabilidade.

Não é mistério a nenhum professor quanto à falta de estrutura física nas escolas paulistas, a adequada instrumentalização para que ocorra o processo com a qualidade desejada, assim, sem quaisquer parâmetros, de imediato, por ser impossível perceber qualquer progresso, nós passamos a duvidar de qualquer mudança. Mas ainda assim, como professor, que deita sobre as teorias, tentando contextualizá-la para a realidade do educando, nós devemos provocar esse estranhamento, ou pelo menos, assumirmos essa postura compreendendo a dificuldade desse processo e discutirmos o todo, mesmo que possa existir prejuízo das partes.

A educação é um processo conjunto, no qual toda a sociedade deve estar envolvida, ou no falar de Paulo Freire, ninguém ensina ninguém, aprendemos, meditatizados pelo mundo, pela interatividade entre indivíduos. Portanto, não podemos, nas discussões, centrar atenção nas particularidades do processo, as perdas de um e ganho de outros, mas sim no todo do processo, na possibilidade de implantação ou não, desde que todas as escolas sejam aparelhadas e instrumentalizadas. Muito embora os gestores educacionais de São Paulo, mais uma vez, distorceram o parecer expedido pelo Conselho Nacional de Educação, no que se refere ao número de ciclos e um possível formato das matrizes curriculares do Ensino Médio, continuam, também, pela sua inexplicável necessidade de poder, a usar os professores da rede pública como massa de manobra.

Convido a todos os colegas do magistério para ficarmos atentos, pois, seja lá a forma que nós indicarmos, com quase nenhuma informação, será a arbitrariedade da classe dominante que nortear a escolha.

criado por lelo_itu    13:00:49 — Arquivado em: Sem categoria

18.9.11

Eleições Municipais em 2012

 

Ultimamente tenho pensado muito na possibilidade de me lançar candidato a vereador em minha cidade (Itu/SP). Tal vontade está sendo acompanhada por muita reflexão sobre a minha postura existencial. A qual, buscar uma participação na vida política partidária, uma vez que tenho consciência plena de que o homem, acompanhando a definição de Aristóteles, é um animal político, passa a ser mais complicada. E por compreender perfeitamente o limite e o campo de atuação de um vereador, assevero que este deve estar vigilante para ser atuante, pois ele é a ponte que liga o desejo do povo (Câmara) com a vontade do governante (Executivo).

 

Nos estudos filosóficos que faço como professor de filosofia, eu pude me deparar com muitos pensadores que se dispuseram a analisar sobre a postura ideal de um governante. Percebe-se, nestes, que tal postura está intimamente ligada aos conceitos éticos em vista dos códigos morais, compreendidos como fator inerente daqueles que se dispõe a enfrentar as urnas e, depois em caso de vitória, na conduta no seu mandato. E os autores que mais me chamam atenção são Kant e Max Weber.

 

Para Kant é o dever é imperativo da moral, ou seja, "o conceito de dever não precisa, para se fundar, de nenhum fim particular, mas que, pelo contrário, suscita um outro fim para a vontade do homem, a saber: contribuir por todos os meios para o soberano bem possível no mundo (a felicidade geral no universo, associada à mais pura moralidade e conforme com ela); o que, por estar sem dúvida em nosso poder de um lado, mas não dos dois, impõe à razão a fé num senhor moral do universo e numa vida futura, do ponto de vista prático" se estabelece pelo dever (Kant). Na mesma obra (A Paz Perpétua e Outros Opúsculos), pouco mais a diante, Kant dirá que o dever nada mais é do que a restrição da vontade à condição de uma legislação universal. Muito embora a ética kantiana esteja fundada na autonomia do sujeito, ele reconhece que só é possível a convivência social com base de leis universais, compreendidas a partir de imperativos categóricos ou hipotéticos.

 

No pensamento de Max Weber pude entender que existem três qualidades que determinam o homem político: a paixão, o sentimento de responsabilidade e o senso de proporção. A paixão não deve ser entendida como algo sem pensar, mas sim como uma grande vontade de trabalhar por uma causa, porém com consciência e responsabilidade do que se está fazendo. O homem político não pode tornar-se vaidoso, pois a vaidade faz com que o político se coloque acima de sua causa, e faz com que ele não tenha sentimento de responsabilidade – ou então, que perca o objetivo da sua causa. Quanto à ética weberiana, ela se estabelece a partir de dois posicionamentos, sendo o primeiro a ética da convicção e o segundo a ética da responsabilidade. O primeiro posicionamento se baseia no fato de que o sujeito toma suas atitudes, e a responsabilidade destas não estão no agente, mas sim no mundo, na tolice das outras pessoas, ou até na vontade de Deus, independente de um julgamento de valor, portanto, comparando esta com o pensamento de Kant, pude compreender que se trata de um sujeito heterônomo. Mas no segundo posicionamento, seu fundamento é a razão, a autonomia do sujeito, pois o agente torna-se responsável por seus atos, ou seja, no caso de o agente cometer equívocos, está sujeito às consequências.

 

A ética, portanto, não é uma ação, mas sim um questionamento acerca dos valores morais. A ação torna-se consequência de um posicionamento sobre tal reflexão, na eterna busca do bem comum.

Surge, então, a pergunta, dada as práticas políticas adotadas por uma grande massa de homens públicos, considerados políticos profissionais, existe possibilidade de se fazer política partidária séria, embasada em conceitos filosóficos, éticos, do dever e, portanto, da moral visando ao bem comum e não o interesse particular?

Seria hipocrisia de minha parte afirmar categoricamente que será fácil assumir um papel que represente algo extremamente diferente do que se apresenta na atualidade política brasileira, mas não é impossível. Seria perfeitamente possível agir de forma coerente no meio político, pode-se até ser um marco que norteará as próximas atuações políticas, porém, o eleitor não deve ser um agente passivo, um peso “morto” nas decisões política de poder. Este se obriga a se tornar um agente ativo, demonstrando sua vontade ao seu representante, eleito ou não, pois como se sabe, na eleição proporcional, a menos que se consiga sozinho atingir o coeficiente eleitoral, se eleito, será pela soma de todos os votos do partido. Assim, mesmo o candidato que teve um voto tem o direito de opinar na decisão do eleito.

Nas salas de aulas que atuo com crianças, jovens e adultos, eu tento passar a todos a necessidade de se desenvolver essa consciência política. Pois, no contratuaismo o que fica acordado são: a forma e o sistema de governo, agora, o sistema político e o modus operandi dos eleitos será dada pela participação ativa e perene de todos os eleitores.

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14.9.11

A leitura como autoconstrução do educador

Quando cursamos uma licenciatura deve estar presente o forte comprometimento em se educar. E este educar-se está na leitura constante. Lembro que Ler é a arte de desatar nós cegos, como disse Goethe certa vez, mas para um educador, este ato deve antes acirrar outros tantos, e assim essa lida nos faz perseguidores de um melhor entendimento, pois, tanto para aprender como para transmitir é prática imprescindível.Existe um “livrinho de bolso” chamado Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire que deixa insuportável não considerá-lo como essencial a todos os que desejem iniciar estudos com o objetivo de se tornar “professor”. Mas, quando alguém se torna professor?

Certamente quando perde a dimensão daquilo que faz do processo ensino-aprendizagem ser o que é.

Quero contar sobre um “livrinho”, que traz no primeiro capítulo o título “não há docência sem discência”. De pronto, o autor demonstra qual a percepção um educador comprometido com a educação deve desenvolver, para chegar ao ponto de indagar sobre quais são as reais competências e habilidades que devem ser desenvolvidas no processo de sua formação.

Opa; escrevi formação!

Pena que não se perceba a dimensão prática do método Paulo Freire aqui no Brasil, pois educar para ele, não é formar, fazer reproduzir, mas criar, desenvolver, superar. Expressa isso quando escreve que “o educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão…”

Quantos de nós, professores ou professoras, ou mesmo alunos dos cursos na modalidade licenciatura, pode se encontrar nesta simples frase, pois, o quanto depende do educador e do educando?

Tendo como interlocutores jovens universitários, porém adultos já “resolvidos”, sujeitos que devem ter consciência que estão escrevendo sua própria história por terem feito uma escolha de rumo, e principalmente no Brasil, que se dispuseram a “investir” uma boa soma de dinheiro como meta para atingir seu objetivo, o quanto este deve querer tal transformação? Note que enquanto estamos tentamos desatar este nó dessa leitura, quantos outros foram surgindo, sem contar o que está sendo mais acirrado. Afinal, para quem estamos estudando?

É comum, nos corredores das universidades, ouvir educandos das áreas de exatas e biológicas, cursos que também são oferecidos como licenciatura, tecerem todos os tipos de comentários pejorativos às disciplinas pedagógicas – até se entende a ojeriza destes, pois entram com a pretensão de se tornarem profissionais das chamadas ciências positivas como primeira escolha e o ministrar aulas só em último caso. Entretanto, muito embora soe de modo estranho, esses comentários também são comuns entre os graduandos da área de humanas. Um nó que a princípio, parece impossível de ser desatado. Mas não está aqui o fim desta linha.

Assim, continuo a transcrição do parágrafo que será citado a seu tempo, no qual lemos que “…uma de suas tarefas primordiais (do educador) é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com quem deve se ‘aproximar’ dos objetos cognoscíveis. E esta rigorosidade metódica não tem nada que ver com o discurso ’bancário’ meramente transferidor do perfil do objeto ou do conteúdo…”

Percebemos assim, que também o educador tem que se tornar um agente motivador, pois o que se espera deste é que faça a constante leitura da atualidade e, a partir do entendimento, inovar, reconstruir, superar o cotidiano etc. Pois, como continua Paulo Freire “…E essas condições implicam ou exigem a presença de educadores e de educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Faz parte das condições em que aprender criticamente é possível a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos. Pelo contrário, nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo…”

Isso impõe a necessidade de entender a educação como um processo dinâmico, mas mesmo nos bancos universitários, que deveria criar e recriar saberes, porém, persiste a inércia, algo resistente às inovações, ou seja, nos colocam sentados sobre um livro de história.
Aqui não falo de sistemas educacionais, mas da educação em si, como uma busca da plenitude pelo sujeito visando à superação daquilo que se está sendo, portanto, a liberdade entendida como a capacidade inerente a todo o sujeito de se transformar. Um sujeito condenado à liberdade pelas possibilidades de escolhas que lhe são impostas, proposta de Sartre (1970).

Então, “…só assim podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é apreendido na sua razão de ser e, portanto, aprendido pelos educandos”.

Quer se construir como educador?

Então se prepare para a dialética, pois, “Kant percebeu que a consciência humana não se limita a registrar passivamente impressões provenientes do mundo exterior, que ela é sempre a consciência de um ser que interfere ativamente na realidade, e observou que isso implicava extraordinariamente o processo do conhecimento humano”. (KONDER, 1983)

Concluindo posso afirmar que muitos nós podemos desatar, outros tantos acirrar, porém e a dinâmica humana da existência. Faço aqui o convite para que leia atentamente este livro, pois, toda a citação utilizada para escrever este minúsculo artigo, compõe apenas um único parágrafo do livro Pedagogia da Autonomia (FREIRE, 1996), exposto nas páginas 28 e 29.

 

 

 

 

Referencia:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática docente. 25ª Ed. São Paulo : Paz e Terra, 1996.

 

KONDER, Leandro. O que é a dialética. 7ª Ed. Coleção primeiros passos. São Paulo : Brasiliense, 1983.

 

SARTE, Jean-Paul. L’Existencialisme est un humanisme. Paris: Les Éditions Nagel, 1970.

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